Junho de 2015, me sentei no mesmo lugar de sempre na sala, gosto do fundo. Estava eu numa aula de geografia, distraída, olhando para aqueles mapas, pensando se um dia eu poderia viajar pra qualquer lugar daquela esfera de 7.917,5 milhas chamada Terra, um pensamento estranho, eu sei; até que jogaram um bilhete em minha mesa, estava escrito: "É assim que as vacas se comportam quando não estão "pastando"? Pensando numa burrice qualquer?!", não estava escrito exatamente com essas palavras, se é que você me entendeu. Eu ignorei este, mas aí veio o segundo, uma coisa bem pior, a qual não preciso mencionar, e então o terceiro, o quarto, e mais uma série de bilhetes ofensivos que podiam destruir o dia de uma pessoa em segundos; aquela dor horrível bateu no peito, e ela tem vários nomes: bullying, exclusão, rejeição... Veio tudo de uma vez, como uma onda encharcando a areia. Me levantei, com a expressão firme, joguei os bilhetes no lixo e pedi ao professor para ir ao banheiro; mantive a postura até entrar na cabine e então eu desabei, me senti pesada, sem chão, sem razão para voltar lá, queria sumir dali, ir pra qualquer lugar em que eu pudesse ficar sozinha, onde ninguém me veria chorar. Mas não podia fazer nada além de lavar o rosto e voltar para a sala como se nada tivesse acontecido, minha cara não parecia com a de alguém que chorou a pouco tempo, depois de um tempo eu aprendi a controlar isso, entrei e me sentei, peguei uma folha e comecei a desenhar, era uma das coisas que me fazia bem. Por algum motivo, não recebi mais nenhum bilhete, talvez quem mandou tenha se cansado de escrever, é uma pena, porque prefiro ler do que ouvir, e eu sabia que não ia parar tão cedo.
-Blair
-Blair
Música pra essa situação: Try - Pink
"Where there is desire there is gonna be a flame
Where there is a flame someone's bound to get burned
But just because it burns doesn't mean you're gonna die
You've gotta get up and try, try, try..."
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