domingo, 27 de março de 2016

Constrangimento

  Escola nova. Gente nova. E o aluno novo, no caso, eu. Só conhecia uma única pessoa naquele lugar, e tinha que ser a pior. Sofri bullying dela há alguns anos, eu nunca vou esquecer esse rosto, e pelo que parece, ela também não esqueceu. Me sentei o mais longe possível do que parecia ser uma armadilha social para pessoas como eu. A aula foi normal, sobrevivi ao primeiro dia. Foi estranho, era tudo muito diferente do que eu estava acostumado. Só tinha uma coisa naquela escola que me deixava feliz o suficiente para esquecer os "valentões", e era ela, aquela garota; baixinha como eu, cabelos castanhos e enrolados, ela era perfeita para mim. Fiquei a observando de longe durante muitos dias, esperando coragem para conseguir falar com ela; então, chegou o dia em que eu fiz uma aposta pra mim mesmo: "Se você não for falar com ela hoje, você não vai poder comprar a próxima edição daquele mangá que você tanto quer", EU TINHA QUE FALAR COM ELA! Na hora do intervalo, fui me aproximando, de uma forma que meu coração já estava a ponto de explodir; quando cheguei perto o suficiente para que ela me ouvisse, eu perguntei; "Oi, notei que você está usando um colar do One Piece, você curte?", CONSEGUI!!! Nós passamos o intervalo inteiro conversando sobre Animes e Mangás, foi incrível! No dia seguinte, eu tinha certeza de que iríamos conversar de novo; quando a encontrei e fui em sua direção, antes mesmo que eu chegasse tão perto ela me viu e acenou, e foi nessa hora que eu queria sumir e nunca mais voltar; e porque? Porque senti que haviam abaixado minhas calças na frente dela e de toda a escola, sabia quem era, mas não pude fazer nada, só saí correndo, muito constrangido; só conseguia pensar em como alguém podia fazer isso com outra pessoa, e como aquela garota nunca mais ia olhar na minha cara, e como eu passaria o resto do ano com vergonha de olhar pra qualquer um. Fui ao banheiro, sentei num canto e chorei, sim chorei muito, baixo, mas chorei. Fui pra sala quando bateu o sinal, e passei as últimas aulas de cabeça baixa, ignorando todo tipo de comentário. Cheguei em casa e minha mãe perguntou como tinha sido a aula, e eu respondi: "Foi tudo ótimo, como sempre", menti. Não podia fazer nada, não podia dizer nada. Fui para o meu quarto e comecei a jogar, só queria esquecer esse constrangimento horrível.

- Austin

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